Cinema de quarentena

Com direção de Griffin Dunne, Joan Didion: The Center Will Not Hold, documentário disponível na Netflix, é uma ótima pedida para mais uma final de semana de quarentena. Além de se aproximar do contexto agitado da década de 1970 dos Estados Unidos, nos conecta com a obra e trajetória de Joan Didion, uma das escritoras mais importantes da sua geração. Nascida em 1934, Didion foi uma ensaísta, repórter e romancista. Foi daquelas personalidades que pouco se percebe onde a vida acaba para a arte começar, contrastes que moldam estilos de vida, relações com o mundo e com pessoas próximas.

No documentário, aos 80 anos, a autora comenta o início da carreira como jornalista da Vogue e como aos poucos já escrevia artigos para diversos periódicos do país. Casou-se com John Gregory Dunne, também escritor, pois para ela não poderia ser diferente, somente outro escritor entenderia sua devoção, para citar outro livro de escritora contemporânea à Didion, Patti Smith.

A devoção ao trabalho com a escrita começou com a tentativa de organizar e expulsar os sentimentos do corpo, diz ela, ao lembrar quando sua mãe lhe deu um caderno: pare o chororô e escreva suas emoções.

E foi assim, Didion escreveu o primeiro livro sobre luto para pessoas alheias à religiosidade, diz o dramaturgo e amigo, David Hare sobre O ano do pensamento mágico. Depois também veio Noites azuis. Duas edições da Harper Collins no Brasil que tratam da relação da autora com a morte do marido e da filha em 2003.

Vários de seus romances e ensaios foram traduzidos e com o do documentário a curiosidade e a sede criativa só aumentam. O romance A última coisa que ele queria de Didion foi adaptado para o cinema e também está em cartaz na Netflix.

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