Cinema na pandemia

Algum tempo atrás não teria imaginado o ressurgimento do “Drive-in theater” no Brasil, em grandes espaços ociosos pelas restrições impostas pela pandemia do Covid 19 e os cinemas impedidos de funcionar.

Estes cinemas a céu aberto tiveram o auge de popularidade nos Estados Unidos no final dos anos 40 até início dos 70. Aqui no nosso país não foram muitos, mas me lembro de ter frequentado um com ótima estrutura na cidade de Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina, nos anos 70, perto da BR 101. Os automóveis não tinham sistemas de som bons como os de hoje, isto quando os tinham, apenas rádios de Am, que também consumiam muita bateria. Ao lado de cada vaga demarcada, um poste baixo com uma pequena caixa de som, com controle de volume, que era encaixada no vidro do motorista. No vidro do passageiro, era encaixada a bandeja principalmente com refrigerantes, bombons e cachorro-quente, disponíveis na lanchonete, ainda não estava difundida a pipoca. Não era um divertimento, digamos muito familiar, pois a maioria dos automóveis tinham um banco dianteiro inteiriço, não individuais como hoje, daí…

Os filmes. Eram produções de terror, aventuras e comédias ligeiras, não que isso importasse muito, dependia mais das intenções dos casaizinhos. Aqui na região de Curitiba dizem que houve um na estrada para Piraquara, onde hoje é Pinhais, mas por conta do clima chuvoso, neblina e instalações precárias não durou muito. Proliferaram por aqui as lanchonetes drive-in em que se podia namorar com mais segurança.

O primeiro drive-in theater foi aberto em New Jersey, Estados Unidos, em 6 de junho de 1933, com o filme inglês “Two white arms” que não fez sucesso nos cinemas tradicionais. Produção de 1932, distribuída pela Metro, com Adolphe Menjou e direção de Fred Niblo. Mudaram o nome para “Wives Beware” nesta estreia. Richard Hollingshead foi quem fez experiências com o cinema a céu aberto, patenteou o sistema e era o proprietário. Nos Estados Unidos, eles nunca deixaram de existir, principalmente em áreas rurais. Hoje com os automóveis equipados com bons sistemas de som, a trilha do filme é ouvida sintonizando uma frequência anunciada no rádio Fm, barateando muito a instalação e facilitando a aquisição dos filmes com o cinema digital.

Para conhecer um drive-in típico dos anos 60, um bom filme é “Na mira da morte” (Targets) com Tim O’Kelly e Boris Karloff, direção de Peter Bognadovich, colorido, produção de 1967. Um desiquilibrado se esconde atrás da tela do cinema ao ar livre, para fazer vítimas entre os espectadores, o cinema dentro do cinema. É uma homenagem também ao veterano ator inglês, Boris Karloff, astro dos filmes de terror, que interpretou entre outros monstros, o Frankenstein ou a Múmia nos filmes da Universal nos anos 30. Foi o “canto do cisne”, seu último filme.

“Grease nos tempos da brilhantina” (Grease), musical com John Travolta e Olivia Newton-John, direção de Randal Kleiser, produção Paramount de 1978, filme de grande sucesso na época, também tem cenas em um drive-in.

 

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