Eu nunca vou te amar

Dizem que o amor não é para os fracos. Discordo! O amor foi feito para os fracos; daqueles que se entregam perdidamente ao outro e não enxergam um palmo à frente na bruma do sentimento perdido. Foram feitos sob medida para se matarem quando o ser amado lhe dá o tão temido pontapé na bunda.

É fato que amor atinge com maior grau de letalidade os românticos idiotizados, aqueles que ainda acreditam no amor numa cabana e vivem a fazer poesias para o amado mesmo sabendo que já foram abandonados há muito tempo. São aqueles que desprezaram o ensinamento do Renato Russo que em verso ensina que o “pra sempre, sempre acaba”.

Quando se é jovem é que o perigo do amor letal se faz mais presente. Ele é uma esmagadora onda batendo no rochedo até transformá-lo numa pedra disforme. Então o abandonado despreparado, sofre com a ausência de experiência de lidar com a frustração diária com o ser humano e suas mentiras ladinas, usadas convenientemente para descartar o chato apaixonado que não lhe larga do pé. É o palhaço do amor, pode-se dizer.

O apaixonado exemplar tem a tendência lobotomizada de sofrer sem limites e até mesmo ser capaz de se matar diante do parceiro que esfria a relação porque de olho em outro “sensível” mais interessante. Nesse ponto, que me perdoem os canceladores de plantão, mas o mancebo é muito mais suscetível às armadilhas do que a moçoila. Mulheres, nesse jogo de emoções, são duras por natureza e não raro implacáveis com o parceiro fracote que se amua pelos cantos ouvindo músicas românticas e sonhando com um impossível retorno.

Certa vez, quando jovem, fraco e cego, recebi uma carta da pessoa amada insultando minha autoestima por ser exatamente um chorão iludido. Foi um choque que até hoje agradeço. Fui curado da cegueira quase que imediatamente. O fato, para mim, notório, teve dois efeitos na minha vida. Primeiro destruiu por completo o idiota romântico que ainda existia e segundo me fez sentir como o marinheiro Popeye quando comia espinafre; forte como um Miúra. Só faltei gritar: “agora vem que vou te mostrar quem é o fraco”. Era tarde demais, porque virou uma comédia.

Então vejo claramente que o amor, no sentido romântico da palavra, é sim feito sob medida para os fracos, que não costumam interpretar naquele doce olhar apaixonado do parceiro, que tanto lhes chamou a atenção, ao invés do “eu te amo”, o impensável e verdadeiro “eu nunca vou te amar”.  Sempre continuarei defendendo que o amor é para os fracos, porque só com eles acontecem grandes histórias e romances inesquecíveis. Sem os sofrimentos dos amores perdidos não existiriam O Grande Gastby e muito menos Romeo e Julieta.

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