Cinema de quarentena

Com roteiro, direção e cenário de Marguerite Duras, Baxter Vera Baxter (1977) é um dos seus longas que escapam as definições de gênero cinematográfico. Baseado no romance Vera Baxter ou les Plages de l’Atlantique, o filme é classificado como “escritura” pelo tratamento poético do texto.

O roteiro aflora, mas a atenção aos detalhes e ao continuum é forte no longa. Em Baxter isso é posto a todo momento. No corpo e expressão da personagem Vera Baxter, interpretada por Claudine Gabay, a receber convidadas, telefonemas, notícias e permanecer numa casa prestes a ser alugada durante todo o filme.

Característica da obra de Duras, existe o conflito da relação no primeiro plano, mas a prolongação do tempo de alguma forma toma todo o filme. É possível ver o resultado disso na ausência de movimento da personagem ou como ela sente o tempo em seu corpo suspenso. Ou como sente a relação em seu corpo, prolongando o tempo. As pessoas passam, o tempo passa, e Vera continua ali, cansada e a ouvir a mesma música, uma trilha de Carlos D’alessio que está sempre a anunciar, mas não concretiza nada.

O longa está disponível no Mubi.

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