A Árvore de Isaías

Ler as crônicas de Fábio Campana no livro “A árvore de Isaías” revela uma faceta pouco conhecida do autor. Não o Campana quando escreve sobre política, que analisa profundamente fatos pouco questionados, em que mostra com toda perspicácia e senso crítico, como há de ser, problemáticas abissais da nossa sociedade. Nem tão somente o Campana ficcional, em que se vê a espetacular maestria das suas palavras e histórias que constrói mundos fascinantes, terríveis, escapistas e revolucionários.
Em “A Árvore de Isaías”, Fábio Campana mostra o seu mundo. Por este motivo o cito agora apenas como Fábio. Talvez seja um modo de aproximar o leitor com o autor. Tirar o pedestal, minimizar o impacto do salto. Porém, digo com toda a honestidade, é a minha maneira de reverenciá-lo por sua entrega, por seu amor pela palavra, pela sua honradez e respeito com as pessoas e com sua história.
Fábio escreve seus dramas, pesadelos, devaneios, amores, medos, suspiros, sabores, prazeres. Seus textos revelam mais que a mestria com as palavras, a perspicácia, o senso crítico, a inteligência. Fábio faz o que parece impossível, nos entrega com todo o afeto e toda a coragem outras possibilidades de ver, sentir, ser, ter. Fábio vai além.
Ler Fábio e tudo que o rodeia, que o cerca, acrescenta, questiona, faz rir, faz chorar, faz pensar. Suas crônicas são como tudo aquilo que desejamos saber e ainda não sabemos, são como sonhos dentro dos seus sonhos, são palavras que nunca foram ditas, são tempestades e delicadezas.
Ler Fábio é ouvir jazz, dançar tango, reger uma orquestra, ouvir a chuva, abrir a primavera. Ler Fábio em “A Árvore de Isaías” é o que Rimbaud previu visceralmente — como há de ser — “a sinfonia se agita na profundeza”. E estamos salvos.
(Prefácio para o livro “A árvore de Isaías”, do jornalista e escritor Fábio Campana.)

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