Com quantos estupradores
se faz um time de futebol?

Quando eu era criança, o futebol alegre do Santos me cativou. Torci muito pelo alvinegro de 1995. Vibrava com a agilidade e a criatividade dos jogadores. E me divertia ao ouvir as histórias do Santos de Pelé, o time que deixou de jogar campeonatos por um ano inteiro para embarcar numa excursão internacional de jogos espetaculares e autógrafos. O mundo festejou a chance de conhecer a equipe histórica.

Hoje essas lembranças só me trazem asco. Não que eu tivesse qualquer inocência a respeito do que se passa no mundo do futebol. Ou sobre o número de estupros cometidos todos os dias. É que me reservo o direito de nunca deixar de me chocar com o que é desumano, pavoroso, hediondo.

Por isso hoje passei o dia com o estômago embrulhado. Já há dias estou com esse ódio queimando na boca do esôfago. Ler as transcrições foi só a gota de ácido que faltava para me transtornar por completo.

E por que o Santos contratou Robinho, afinal? Pela qualidade do futebol? A qualidade de um jogador que tem 36 anos e era reserva do time na Turquia? Acho que não. Foi contratado para ter desculpa para voltar ao Brasil, de onde não seria extraditado.

Certamente o técnico Cuca se compadeceu do caso. Até porque ele também conta com uma condenação por estupro coletivo de uma menina de 13 anos (treze!), na Suíça, 33 anos atrás.

Pois é. Robinho não é sequer o único estuprador do clube. Com quantos se faz um time de futebol?
Texto de Izabel Campana

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