Home office – uma praga pós pandemia

Começamos a ver uma luz no final do túnel no tocante à essa pandemia que nos assolou este ano e que atende pelo nome de COVID 19, o famigerado corona vírus.

Vacinas em curso, cuidados devidos (sem excessos neuróticos!), e, em breve, voltaremos a ter nossas liberdades reconquistadas. Eu acredito!

Muitas mudanças ocorreram. O dinheiro, em muitos casos, mudou de mão. Alguns setores nadaram de braçadas, enquanto outros morreram afogados.

Relativamente ao trabalho, creio que a principal mudança que se perpetuará, como uma sequela de difícil cura, é o tal do home office – trabalho em casa.

Necessária, inicialmente, em função do lockdown imposto, essa modalidade de trabalho mostrou às empresas a possibilidade de lucrarem, ou melhor, evitarem gastos com instalações caras em que seus funcionários trabalhavam. Diversos setores observaram que seus funcionários desempenhavam muito bem suas funções trabalhado em casa, com um bom computador e uma boa internet. A partir daí, muitos imóveis foram desalugados por diversas empresas que se redimensionaram, alugando imóveis menores, além de todas as outras economias paralelas, como água, luz, produtos de limpeza e até o cafezinho nosso de cada dia.

Já para o lado do funcionário a coisa ficou meio esquisita. Trabalhar com filho no colo, às vezes nem tirar o pijama, se acostumar com o cônjuge 24 horas ao lado, em alguns casos moram na mesma casa sogro, sogra, avós, gato, cachorro e papagaio. Enfim, a estratégia  familiar de convívio passou de algumas horas à noite no retorno do trabalho, para constantes 24 horas. Sabemos muito bem o que o excesso de convívio acarreta.

Muito bem, a análise que trago está consubstanciada no comportamento humano e suas necessidades.

Diversos filósofos e pensadores definiram o homem como muito mais que um animal gregário por natureza, como muitos outros o são, mas, acima de tudo, um animal social. Segundo Marx, por este aspecto, ele não pode ser privado de estar em sociedade e participar ativamente do grupo ao qual está inserido. Ideia essa apoiada também por Engel. Aristóteles dizia ser o homem um animal carente, por isso precisa de outras pessoas para sentir-se pleno e feliz.

Face à essas ponderações, o que começamos a observar no comportamento das pessoas que estão em home office, e que tem a possibilidade de voltar ao trabalho presencial na empresa, é que mesmo tendo aumentado muito sua ansiedade, o fato de terem a perspectiva de volta as mantém um pouco melhores do que aqueles que provavelmente permanecerão trabalhando em casa. Esses, além da ansiedade, começam a demonstrar alguns traços de depressão, pela impossibilidade do convívio com os colegas, que é muito salutar, pois é o momento em que, sem querer, fazemos nossa terapia diária. Mesmo o deslocamento, apesar de um trânsito difícil, é um momento em que quebra-se ritmos, saindo do ritmo do trabalho e preparando-se para entrar no ritmo da casa. É fundamental a mudança dos ambientes para que o cérebro possa fazer suas associações: escritório/trabalho e casa/lazer.

Eis aí algo para refletirmos. O que essa mudança já trouxe e o que ainda trará.

A economia das empresas  é um aspecto a ser considerado, mas, quando comparamos com o prejuízo humano, a coisa muda de figura.

 

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