Ideológicos x Fisiológicos

Na disputa de cadeiras da Câmara Municipal, os mais bem sucedidos costumam ser os candidatos da tradição do fisiologismo. Fisiológico é o que usa a política para fazer trocas, para prestar e receber favores. Para esse tipo de candidato, falar em ideias, coerência partidária, em princípios, ou em valores morais, é falar ‘abobrinhas’.

No oposto estão os candidatos que tem ideologia, neste contexto sinônimo de ideário, no sentido de conjunto de ideias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo, orientado para ações sociais e, principalmente, políticas.

Candidatos fisiológicos são absoluta maioria. E incluam-se aqui os que exploram crenças ou religiões para falar em nome do Altíssimo e oferecer vantagens imediatas.

Mas temos os ideológicos. Louváveis. São que fazem da defesa de programas, de ideias, de princípios o seu apelo pelo voto. Em vários partidos. Eles logo se destacam pela postura, mas ficam em desvantagem quando concorrem com o fisiológico que oferece de dentaduras a lugar no céu em troca do voto.

Nesta eleição em Curitiba há alguns destaques entre os ideológicos. Aqui vão alguns exemplos:

Rafaela Lupion, do DEM, tem nitidez em suas ideias e propostas. É liberal, defende o livre mercado, o Estado mínimo. Daí decorrem suas propostas.

Gerson Guelmann, do PDT, é um socialdemocrata, identificado com as ideias sobre urbanismo de Jaime Lerner, a quem acompanhou em boa parte da carreira. Tem experiência administrativa e atuação na área social.

José Maria Correia, do MDB, é muito conhecido pela sua presença nos governos de seu partido. Delegado de Polícia, foi quem fez a mudança de comportamento da polícia civil no momento da transição da ditadura para a democracia. Sua formação intelectual é sólida, mais ampla e vasta do que sugere a profissão.

Magal, do PT, é um advogado, de atuação muito intensa nos movimentos sociais e políticos. Sua vida pessoal se transformou pela identificação com valores e projetos desses movimentos. É a principal voz contra a Lava Jato.

Ana Júlia, do PT, ficou nacionalmente conhecida na ocupação estudantil em 2016. Sua campanha concentra-se no movimento contra Jair Bolsonaro e tudo que ele representa em posições à direita. Ativista da educação, ela se destacou desde cedo pelo discurso e pela coragem.

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