A grande falcatrua, por João Arruda

João Arruda, candidato a prefeito pelo MDB, diz que 2020 será lembrado em Curitiba como o ano da Pandemia e da Grande Falcatrua. Diz ele que a grande dificuldade dos candidatos de oposição ao prefeito Rafael Greca, em Curitiba, é vencer a barreira da indiferença, que foi reforçada pela operação política que ele chama de Grande Falcatrua, em artigo que a seguir publico.

“A 10 dias das eleições, a absoluta maioria demonstra não ter nenhum interesse pela eleição em 15 de novembro. Uma confortável situação para o prefeito que pretende a reeleição.

Se já era difícil chamar a atenção dos eleitores, pior ficou depois da operação realizada pelo governador Ratinho Jr que negociou a desistência dos candidatos mais competitivos de sua área de influência que pretendiam disputar o pleito. A história deverá registrar esta manobra como grande falcatrua contra o processo democrático, consagrando definitivamente a política do baixo clero nesta etapa sombria da vida política brasileira.

Mas Ratinho só foi bem sucedido porque teve a conivência de quem se esperava um tanto mais de dignidade e princípios. Fez suas barganhas com sucesso. Em troca de cargo, caso de Ney Leprevost, do PSD, que volta a ser secretário da Justiça e Trabalho; ou em troca de quinhão futuro na própria prefeitura, caso de Luciano Ducci; ou ainda com acenos futuros sobre reeleição a deputado dentro de dois anos.

Sem essas candidaturas mais fortes que transitam no espectro controlado por Ratinho Jr e Guto Silva, ficaram os que não negociam. Eu, pelo MDB, que não tenho entendimento político com o clã dos Ratos e seus adeptos, Fernando Francischini, do PSL, que esperava crescer com sua candidatura turbinada pelo efeito Bolsonaro; e Goura, que tardiamente teve a chance de substituir Fruet, o desistente. Além deles, candidaturas como a de Christine Yared ou de Camila Arns, que não decolaram e mais a penca graúda que constitui uma galeria de 15 candidatos de oposição. Todos condenados previamente ao fracasso pela grande falcatrua.

De certa maneira, essa fórmula já fora experimentada, em parte, na eleição do próprio Ratinho Jr a governador e no pleito do Senado. A verdade é que a política paranaense navega em águas turvas, de baixo calado, conduzida pelo que restou de outra operação, a da Lava Jato, que ademais de combater a corrupção, causa necessária, usou de suas prerrogativas para afastar todas as lideranças e instituições político partidárias do cenário, o que favoreceu a ascensão dos Tatos e dos Bolsonaros.

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