Paraná é o terceiro estado que mais
mata ciclistas no Brasil

No Brasil, a cada 50 minutos um ciclista é hospitalizado em algum hospital que compõem a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a cada seis horas e 23 minutos alguém é morto enquanto pedala. E o Paraná, estado que concentra 5,4% da população brasileira, é um dos principais responsáveis pelas estatísticas de acidentes e fatalidades, concentrando 5,4% do total de hospitalizações e 9,4% do número de óbitos de ciclistas no território nacional.

Os números acima fazem parte de levantamento realizado pelo Bem Paraná com base em dados de dois sistemas do Ministério da Saúde, o Sistema de Informações Hospitalares (SIH-SUS) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Tal levantamento mostra que o estado do Paraná se destaca como o terceiro estado com maior número de ciclistas internados/hospitalizados e também como o terceiro estado com mais fatalidades.

Com relação às hospitalizações, entre 2010 e 2019 o Brasil teve 105.592 ciclistas internados após acidentes dos mais diversos tipos (atropelamentos, colisão com outros ciclistas, colisão contra animais, quedas e etc). Só no Paraná foram 5.698 amantes do pedal necessitando de atendimento médico, sendo que apenas São Paulo (35.503) e Minas Gerais (19.419) registraram números mais expressivos.

Recentemente, inclusive, o número de hospitalizações tem crescido tanto a nível local como a nível nacional. Em 2019 e 2018, por exemplo, o estado bateu recorde, com 712 e 713 registros, respectivamente. Comparando ainda o primeiro ano do levantamento (2010) com o último (2019), nota-se um salto de 36% no número de ciclistas hospitalizados no Paraná. No país, a variação nesse mesmo intervalo foi de +40,4%.

Já quanto aos óbitos, ao longo de uma década o número de ciclistas mortos no Brasil chegou a 13.718, com o Paraná sendo o responsável por 1.291 desses registros. Uma vez mais, somente os estados de São Paulo (2.493) e de Minas Gerais (1.316) concentram mais fatalidades.

No país, entretanto, o número de óbitos tem caído nos últimos tempos. Na comparação de 2010 com 2019 a queda foi de 14,7%, passando de 1.513 mortes num ano para 1.291 no outro. Já no estado, as estatísticas chegaram a ter uma importante queda entre 2014 e 2017, mas voltaram a subir assustadoramente em 2018 (151 registros) e pouco variaram em 2019 (142 mortes), ano em que o Paraná foi o segundo estado com mais mortes de ciclistas, atrás apenas de São Paulo (216) e logo à frente de Minas Gerais (133).

Atropelamentos estão em alta, mostra Abramet

Entre as diversas causas para hospitalização e morte de ciclistas, os casos de atropelamento estão em alta, conforme levantamento realizado pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), divulgado próximo da data em que se celebra o Dia do Ciclista (19 de novembro). Por ano, cerca de R$ 15 milhões são gastos pelo país para tratar ciclistas traumatizados em colisão com motocicletas, automóveis, ônibus, caminhões e outros veículos de transporte. Além disso, do total de ciclistas mortos no trânsito, 60% se envolveram em atropelamentos.

“No trânsito, o maior deve sempre cuidar do menor, ou seja, o carro motorizado deve ter o cuidado maior com o ciclista”, pondera Antonio Meira Júnior, presidente da Abramet. Para ele, no entanto, é importante que o ciclista também cumpra as regras de trânsito. “É fundamental que conheça as regras de trânsito e cumpra as regras de trânsito. Devem evitar transitar por vias que não oferecem infraestrutura adequada ou sem equipamentos de segurança previstos em lei, como de proteção individual, lanternas, campainhas e espelhos retrovisores”, alerta.

Falta infraestrutura e formação para o trânsito
Para a Abramet, a falta de infraestrutura adequada nas cidades, combinada à falta de campanhas educativas e de prevenção voltadas ao ciclista são o principal motivo do crescimento dos indicadores de vítimas.

“É preciso reconhecer que ao longo dos últimos anos houve melhorias na estrutura de algumas cidades, sobretudo em grandes capitais como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, essas mudanças não acompanharam a crescente demanda de pessoas que utilizam as bicicletas como meio de transporte, esporte ou lazer”, diz Meira Júnior.

Para ele, são necessários espaços físicos diferenciados, mais sinalização e ações educativas que alertem para o fato de que todos fazem parte do trânsito e devem ser respeitados. “Sem isso, esses indicadores continuarão subindo. É preciso uma mobilização do poder público, com o apoio das entidades médicas, para criar ações conjuntas e efetivas para combater este cenário”, acrescenta, frisando que a Abramet pode colaborar nesse esforço.

Acidentes

Hospitalizações de ciclistas por ano

Brasil
2019: 13.087
2018: 12.231
2017: 11.796
2016: 11.671
2015: 10.852
2014: 9.183
2013: 9.122
2012: 9.017
2011: 9.313
2010: 9.320
TOTAL: 105.592

Paraná
2019: 712
2018: 713
2017: 700
2016: 479
2015: 468
2014: 494
2013: 601
2012: 527
2011: 481
2010: 523
TOTAL: 5.698

Fonte: Ministério da Saúde – Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS)
Óbitos de ciclistas por ano

Brasil
2019: 1.291
2018: 1.363
2017: 1.306
2016: 1.262
2015: 1.311
2014: 1.357
2013: 1.348
2012: 1.492
2011: 1.475
2010: 1.513
TOTAL: 13.718

Paraná
2019: 142
2018: 151
2017: 98
2016: 127
2015: 111
2014: 110
2013: 134
2012: 138
2011: 136
2010: 144
TOTAL: 1.291

Fonte: MS/SVS/CGIAE – Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM

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