Sonâmbulos sem saída

Dá para imaginar que de repente, além da pandemia, tenhamos rotina como a do Rio de Janeiro em nossas cidades de porte médio para cima com balas perdidas matando crianças e gerando profunda comoção enquanto traficantes travam conflitos intermináveis. Uma semana atrás tivemos um ataque a Araraquara que até agora não prendeu ninguém, muito menos abriu perspectivas de esclarecimento e, agora, se deu outro em Criciúma num ataque a bancos depois de imobilizar as defesas da cidade, ataque com características de guerrilha, de operação com movimentos precedido de fechamento de ruas.

Embora haja esperança com as vacinas, a escalada da pandemia revela que o povo, em maioria, parece seguir uma espécie de Jim Jones que os anima a baixar a guarda, tirar a máscara e participar de concentrações como se vê em todo o Brasil, com a pessoas agindo como se o surto tivesse passado, num oba oba suicida.

É pesadelo, mas também sonambulismo em que andamos em areia movediça e não detectamos nossa condição trágica. Vai passar, dizem otimistas, acreditando-se racionais, mas se depender da população a demora prolongará o sofrimento com sinal de autoflagelação.

Foto: Peter Hwell

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