Impeachment é distante, oposição quer ver Bolsonaro ‘sangrar’

“Há algumas semanas, Bolsonaro tem demonstrado publicamente um giro em seu discurso, expresso no apoio explícito à vacinação em massa, no uso de máscaras em público e na mudança no Ministério da Saúde. Apesar disso, o presidente manteve algumas práticas, como a defesa de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da covid-19.

Para a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, a postura é uma adaptação do presidente de olho na reeleição, mas Bolsonaro continua o mesmo. “O ‘novo Bolsonaro’ é uma nova conduta. O Bolsonaro é o mesmo. O que a gente está vendo é que diante da situação calamitosa que o Brasil está chegando, com a sua popularidade caindo, ou seja, vai afetar bastante o seu desempenho ano que vem, em 2022. Então, ele tem que mudar sua postura”, afirma.

Ainda segundo a cientista política, mesmo com a queda na popularidade de Bolsonaro e a explosão do número de casos e mortes na pandemia, o impeachment do presidente segue uma possibilidade distante.

“Eu não acredito em impeachment nesse país mais, pelo menos para esse governo. Até porque não acredito que tenha alguma força que queira assumir esse governo hoje. Na minha avaliação as forças políticas no Brasil preferem ver o governo sangrar até o fim, chegar muito mal avaliado lá na frente, para justamente uma outra força assumir no lugar dele. Fazer impeachment agora não me parece ser do interesse de nenhum desses grandes partidos ou grupo político que diz querer que o presidente saia do governo”, avalia.

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