ANIVERSÁRIO DO TERROR

É inevitável. Associo o 31 de março ao horror instaurado no país em 1964. É a data do golpe militar que instalou uma ditadura brutal por 21 anos. Os fanáticos da direita, os idiotas liberticidas, negam que ela existiu com a mesma convicção que contestam o Holocausto, o aquecimento global, a esfericidade da Terra, a morte de centenas de militantes pela liberdade, e agora dizem que a pandemia não passa de uma gripezinha que já matou mais de 300 mil brasileiros.

Eu vi de perto a violência do regime fardado. A banalidade do mal. Senti na carne a tortura, a prisão, a censura, o medo permanente de uma prisão ou de um “desaparecimento”. Vivi a revogação dos direitos humanos essenciais. Um tempo sinistro. Dominado pela violência apoiada pela ignorância liderada por vermes vestidos de sotainas negras que bradavam pela tradição, família e propriedade nas esquinas. Gente horrível. Podre. Execrável.

Estranho é ver que muita gente sente nostalgia de um regime que não viveu. Conheço algumas pessoas que considero acima da linha da bestialidade, que lamentam não terem vivido nos anos de chumbo. Na verdade gostariam de viver numa sociedade sem liberdade. Em outras épocas apoiariam Hitler, Mussolini, Stálin, Pol Pot e assemelhados.

Daquele tempo tenho saudades da juventude, da resistência, das utopias, da camaradagem, dos amores, da arte e da sensação messiânica de que estava no mundo para ajudar a salvá-lo. E sou tomado pelo pânico quando alguém diz que gostaria de ver o Brasil voltar ao regime fardado. Eu que acreditava que a esta altura já não existiriam brutos dessa catadura, percebo com amargura que ainda estamos na pré-história da espécie e que os liberticidas são absolutamente majoritários neste Brasil de Jair Bolsonaro. E que a besta pode ressurgir a qualquer momento diante de nós para impor o horror como regra na vida brasileira mais uma vez.

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