Empresários temem isolamento e pedem metas na cúpula do clima

Isolamento do país tende a ter impactos severos para as empresas; ‘PIB pode ter crescimento vertiginoso com implantação de práticas de baixo carbono’, dizem empresários em carta ao governo

Empresários pressionam o governo brasileiro a adotar medidas mais ambiciosas na Cúpula de Líderes sobre o Clima, convocada pelo presidente americano, Joe Biden, e que começa no dia 22. Porém, diante da falta de diálogo com o governo, a iniciativa privada começa a adotar medidas e acordos paralelos para “contenção de danos”, que poderiam minimizar efeitos negativos da atuação ambiental das autoridades federais. Um isolamento do país na questão climática tende a ter impactos ainda mais severos para as empresas brasileiras.

— O setor empresarial está fazendo sua parte, não apenas se posicionando, mas apresentando propostas práticas, com metas e passo claros. Enviamos uma carta aos ministérios da Economia, Meio Ambiente, Agricultura e Relações Exteriores mostrando que, se o Brasil adotar um compromisso de emissão neutra até 2050, terá ganhos econômicos e reputacionais — afirmou Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

O documento, assinado por empresas como Bayer, Braskem, Bradesco, BRF, Ipiranga, Itaú, JBS, Lojas Renner, Marfrig, Natura, Shell, Siemens, Suzano e Votorantim, entre outras, afirma que, com o compromisso da neutralidade, “até US$ 17 bilhões possam ser gerados no país a partir de negócios com base na natureza até 2030” e que “o PIB também pode ter um crescimento vertiginoso com a implantação de práticas de baixo carbono, atingindo um ganho total acumulado de R$ 2,8 trilhões até 2030 em relação à trajetória atual”, afirma.

A ideia da entidade é criar uma meta adicional à da redução de 37% na emissão de gases causadores das mudanças climáticas até 2025 e de 43% até 2030, em relação aos níveis de 2005, celebrada pelo país em 2015, no Acordo de Paris, e confirmada em dezembro de 2020 pelo governo federal. Entretanto, foi apenas uma correspondência às autoridades, sem reuniões, conversas ou interações que pudessem, de fato, balizar a atuação do governo na cúpula.

A pressão vem em meio a notícias negativas na área ambiental, como a troca do superintendente da Polícia Federal no Amazonas — que tinha uma postura mais independente, por um nome mais alinhado ao governo — e a divulgação, ontem, de que o desmatamento na Amazônia registrou o pior mês de março dos últimos dez anos. Segundo levantamento do Imazon, a área devastada triplicou em relação ao registrado no mesmo mês de 2020: foram 810 km² desmatados da Amazônia Legal, área equivalente à cidade de Goiânia.

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