A secreta viagem

Viajo, submerso sob estratos de granito, ruminando insetos na memória: fatos e ficções. Viajo (o vento é brando!) no dorso da serpente incrustrada no ventre da maçã. Viajo (inconsequente?) nos interstícios da manhã a pulsar sempre nos arquivos de aço da noite clandestina. Viajo, como se o gesto do meu braço fosse uma asa transparente, fina. Viajo, barco imóvel entre […]

Continue lendo »

Ode a Fernando Pessoa

Não! Não cantarei teu Canto, tua Obra, tua Vida, sinfonia fantástica de palavras gravitando em órbitas perfeitas, desenhando no cosmo branco do papel vazio constelações, galáxias. Não cantarei as odisseias, as ilíadas, os périplos ásperos no infinito pélago do Desconhecido, nem as lutas insanas com o fado cruel, os erros quotidianos, as dúvidas vãs, os sonhos inúteis, as esperanças adiadas, […]

Continue lendo »

G. B. SHAW: CÉTICO, CÍNICO & CABOTINO. MAS GÊNIO

George Bernard Shaw (1856-1950), escritor inglês nascido em Dublin, na Irlanda, e que sempre viu a Old Albion com os compreensivelmente preconceituosos “olhos irlandeses”, é por certo uma das figuras mais interessantes da literatura universal. Pertence, por todos os títulos, a uma família ilustre integrada, entre outros, por Cervantes, Rabelais, Voltaire, Swift, Oscar Wilde, Sterne, Mencken e Bierce. Os nomes […]

Continue lendo »

Clássicos: eternos como os diamantes

Haverá algo mais moderno do que um clássico, sobretudo um grande clássico? Penso que não. Lendo Ésquilo ou Sófocles, Homero ou Virgílio, Dante ou Camões, Shakespeare ou Cervantes, Moliére ou Goethe, Tolstói ou Dostoiewski, Sterne ou Dickens, Flaubert ou Balzac, Eça ou Machado, o leitor não pode furtar-se a um sentimento de assombro, de êxtase, de vertigem. A verdade é […]

Continue lendo »

Poemas Grego

Pártenon Quem transformou o tempo em doce cântico de pedra? Bem: Calícrates, Ictinos, esses foram os deuses arquitetos. Suas colunas dóricas são quantas? São elas que sustentam na espádua mais que perfeita, a abóbada celeste. Cornijas, capitéis, plintos, volutas: se é bom sonhar é esse o sonho grego, sangue branco a fluir dentro do mármore. (Como suster o céu, sem […]

Continue lendo »

Ode ao ritmo, em versos predominantemente arrítmicos

1 Adeus rima. Good bye métrica Arrivederci, formas obsoletas – camisas de força, invólucros, pacotes, recipientes, vasos, embrulhos para nada.   2 Ritmo. É isso o que é preciso: ritmo. Definitivamente, irmão, tudo é apenas uma questão filosófica de ritmo. Temos assim o ritmo da valsa, do tango, do samba, da rumba, do foxtrote neurótico ou do jazz que vem […]

Continue lendo »

A perenidade da arte

1 Ofício lúdico, exercício mágico: arte. Liturgia de assombro do homem precário, contingente, lutando para furtar-se ao império autocrático de Tanatos: arte. Relâmpago, rubrica divina que alguns médiuns eleitos riscam no in-folio do mundo: arte. Weltanschauung onírica: Cristalografia em flor do indescritível: arte. Projeção de tudo aquilo que, no homem, é ânsia de futuridade, apetência de beleza, fome de transcendência, […]

Continue lendo »

Fernando Pessoa & o Prêmio Nobel

Não sei se o assunto já foi abordado por alguém, algures. Penso que não. Pelo menos, estou escrevendo com base nessa suposição apriorística. Começarei, de modo heterodoxo, antes de entrar in medias res, pela citação de um trecho da carta que Fernando Pessoa dirige ao amigo Adolfo Casais Monteiro (então com trinta anos de idade), poeta embrionário que haveria de […]

Continue lendo »
1 2